Dizem que é seu aniversário, Paul

Por Fernando Cesarotti 19 visualizações0

Close your eyes and I’ll kiss you
Tomorrow I’ll miss you
Remember I’ll always be true
And then while I’m away
I’ll write home every day
And I’ll send all my loving to you

I’ll pretend that I’m kissing
The lips I am missing
And hope that my dreams will come true
And then while I’m away
I’ll write home every day
And I’ll send all my loving to you

All my loving I will send to you
All my loving, darling I’ll be true

O mundo poderia ter acabado naquela noite de 21 de novembro de 2010. Devia ser pouco mais de 10 da noite ali no estádio do Morumbi quando sir James Paul McCartney, depois de entoar três canções de sua bem-sucedida carreira solo, começou a cantar a música acima, “All My Loving”. Completa catarse, sem introdução instrumental, corte de bisturi sem anestesia. Fechei os olhos, me senti beijado por ela e imediatamente as lágrimas encheram meu rosto. O show seguiu, a sensação se repetiu outras vezes durante a noite, até que ele encerrasse com outra pérola, “The End”.

And in the end the love you take
Is equal to the love you make

Hoje, 18 de junho, Paul faz 75 anos, bodas de diamante. E eu, ingresso comprado para o show de outubro no velho Palestra hoje travestido de Allianz Parque, começo a relembrar a importância desse sujeito na minha vida, eu que nasci quase uma década depois do fim dos Beatles e por isso mesmo sou testemunha fiel de quanto esses caras foram maravilhosos, criando canções que sobrevivem pela eternidade e criando novos capítulos na história do showbiz.

Não sei dizer quando foi que me atraí por eles, já que as coletâneas vermelha (The Beatles 1962-1966) e azul (1967-1970) estiveram ali por perto do toca-discos desde que me lembro por gente. Mas minha mãe escutava pouco, meu pai preferia o Roberto Carlos e o Milton Nascimento, e em geral os discos ficavam por ali. Mas suspeito que tem a ver com os primeiros shows do Paul no Brasil, em abril de 1990, quando a onda da beatlemania meio que ressuscitou por aqui, afinal era a primeira vez que um beatle vinha ao país e tal. Assisti ao show na TV, vibrei com “Hey Jude”, mas até então não conhecia muito mais do que isso. Daí fomos ao recém-inaugurado Shopping Regional (hoje Panorâmico), apenas o segundo de Sorocaba na época, e, em visita a uma loja de discos, ganhei de presente antecipado de 12 anos uma fita chamada The Beatles 20 Greatest Hits (já contei em outras ocasiões que meu pai não me deixava mexer na vitrola, então ele me deu um aparelho bacana com rádio e toca-fitas e eu só comprava fitas em vez de vinis).

Ouvi aquela fita até gastar. Lembro inclusive que na festa de aniversário, coloquei a fita pra tocar e uma vizinha, a Stella, veio reclamar: “Ai, Beatles não é música pra festa”, bem, sei lá, vai entender, faz mais de 25 anos que não vejo a Stella, espero que ela tenha mudado de ideia. Troquei a fita, embora não tivesse nada “de festa” para tocar e nem mesmo fosse um bailinho, era uma festa de família com todos os tios e tal e só meia-dúzia de adolescentes que nem estavam a fim de dançar. No aniversário seguinte, ganhei outra fita, do Magical Mistery Tour, e aí comecei a viajar na demência daqueles sons estranhos de “Flying” e “Blue Jay Way”. Providenciei fitas das coletânes vermelha e azul. O Levi, amigo de infância filho de um amigo de infância do meu pai, me emprestou depois a fita do Rubber Soul. E aí, meus amigos, já era, mais um contaminado e devorado pela febre dos Beatles.

E o Paul sempre foi meu preferido entre eles. Na velha dicotomia clichezenta entre o “cardíaco” John e o “cerebral” Paul, eu sempre fui mais pés no chão do que sonhador. Além do mais, Paul era a parte visível da dupla: o cara que ainda estava vivo, tocando, produzindo coisas novas, fazendo parcerias duvidosas com o Michael Jackson, ficando viúvo, casando de novo, sendo uma pessoa real – tão real quanto eu pude verificar naquela noite do Morumbi, em que alternava essa sensação de encanto com uma inveja absurda dos membros da sua banda: será que esse guitarrista tem noção de que está tocando um solo escrito pelo George? Será que esse cara sabe que essa harmonia vocal era feita pelo John?

Enfim, tudo isso são apenas reminiscências feitas com a desculpa mesmo de dar parabéns ao velho James Paul pelos seus 75 aniversários e de dizer obrigado a ele por todas essas belas canções que embalam grandes momentos de nossas vidas. Continue sendo feliz e nos fazendo felizes, agora e para sempre, amém!

You say it’s your birthday
It’s my birthday too, yeah
They say it’s you birthday
We’re gonna have a good time
I’m glad it’s your birthday
Happy birthday to you

Fernando Cesarotti

Professor, jornalista, corneteiro, esquerdista. Parmera, São Bento, Seahawks, Beatles, grunge, britpop, brock. "Intelligence should be our first weapon", já dizia o sábio Paul Weller. Seguimos tentando.

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