Sobre distâncias

Por Daniela Davis 94 visualizações0

Poucas coisas me afetam mais do que a distância. Sou do tato, da fungada no pescoço, de sentir a textura da pele. Mas sou da tecnologia também, e um FaceTime – ou o onipresente Whatsapp – em geral consegue dar conta de fazer sentir a presença de quem não está perto.

Ainda assim, a distância me apavora. Tenho medo dos laços irem se desintegrando pouco a pouco, da intensidade do afeto diminuir com o tempo, de que as coisas do entorno se tornem tão mais interessantes que cheguem ao ponto de fazer com que aquela urgência em ler e responder um emoticon de coração não se faça mais tão presente. Eu me conheço, sou pessoa de interesses efêmeros.

A saudade me dói e dava a sensação de que a dor era física, palpável. “Grandes histórias de amor têm esse efeito”, disse-me um grande amigo.

Até que a minha dor de saudade se tornou quase sem importância no exato momento em que eu recebi a notícia da dor do outro. Naquele exato momento minha dor mudou de forma.

Porque a distância me fode mesmo é quando quem eu amo está lá longe sofrendo. E eu me apequeno na impotência, na impossibilidade de fazer qualquer coisa que diminua o sofrimento. Eu não tenho o poder de mudar as coisas da vida, questões de saúde etc, mas não poder abraçar, dar colo, fazer cafuné, dizer no ouvido que vai ficar tudo bem, isso aí me acaba. Isso eu sei fazer direitinho. E faz diferença.

Ouvir ao telefone a respiração profunda de quem está tentando conter o choro tem efeito avassalador em mim, como poucas coisas. Mas a vida é assim, a gente tem que aprender a se adaptar e seguir, sempre. Não sem deixar um pedacinho do coração lá, milhas e milhas distante, mas sempre seguindo em frente.

(Obrigada a todos vocês pelo apoio que têm me dado. Vocês sabem quem são. Eu os amo ainda mais por isso)

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