Já pensou se qualquer uma das grandes plataformas sociais tomasse o comando do país? Seria mais ou menos isso aqui...

E se o Brasil fosse governado pelas mídias sociais?

Por Eduardo Vasques 63 visualizações1

Mais uma vez passamos por uma “crise institucional”. Novo escândalo no alto escalão governamental com denúncias de corrupção. A iminência de um novo impeachment presidencial em tão pouco tempo coloca fogo sobre linha sucessória do cargo mais alto do Brasil. Nomes e mais nomes começam a ser cogitados. Debate recai sobre eleições diretas ou indiretas.

Entre discussões político-partidárias polarizadas e acaloradas, a descrença no modelo é tão grande – e a confiança em políticos e instituições é inversamente proporcional – que resta a muitos dos cidadãos o riso em oposição ao choro. Os memes de internet explodem (como diz o El País, a única instituição funcionando plenamente no Brasil).

Para entrar no jogo, então, que tal imaginar como seria um Brasil governado pelos estereótipos que traçamos dos usuários das principais mídias sociais com maior número de usuários e volume de dados no país. Será que daria certo de vez?

O Brasil governado por um “youtubeiro”

Teríamos pronunciamentos sobre tudo. Ao menos um por dia, em cadeia nacional. As medidas provisórias, os projetos em tramitação no legislativo ou em sanção ou veto no executivo seriam detalhadamente explicados em vídeos tutoriais: “Olá brasileirinhos e brasileirinhas, no vídeo de hoje eu vou explicar como pretendemos mudar a sua vida produtiva a partir da reforma trabalhista…”.

Teríamos ministros gritando e dando escândalo de óculos escuros na frente da câmera para chamar a atenção, mas, claro, em um vídeo sendo feito lá do Canadá ou dos Estados Unidos onde ele foi para uma “reunião” sabe-se lá para discutir o que. Sem antes, claro, negociar um valor como “cota” de participação, afinal de contas, ele é seria um “digital influencer”.

O Brasil governado por um “instagrameiro”

Povo feio simplesmente não existirá. Todos são lindos. Um país com pessoas de corpos exuberantes, afinal, ao contrário do que acontece, em vez de ser malhado diariamente, este governo estaria ali, na frente do espelho, malhando, trabalhando músculo a músculo e exibindo a protuberância em uma selfie de tirar o fôlego. E que nação mais bem produzida essa nossa. Sempre impecável, maquiada. Ôh país com iluminação boa para uma fotografia. Certamente veríamos um dia ou outro, um mundo paralelo de ensaios do corpo diretivo do país nu, em preto e branco, muito bem produzidos.

E o que dizer da arquitetura das cidades brasileiras. Que coisa mais impressionante. Não existe lugar pobre, só visões panorâmicas maravilhosas, com lindo nascer e pôr do sol, independentemente do ângulo. Que país lindo, rico. Imagens e mais imagens das nossas belas praias, as melhores baladas. Como as pessoas são felizes e se reúnem para todas as ocasiões. Todas as quintas teríamos o #tbtBrasil, uma série especial do governo sobre os fatos mais marcantes dos últimos anos na política, na economia e, claro, aquela viagenzinha internacional da presidência com comprinhas na promoção. Teríamos muitos parceiros que doam brindes para serem expostos na #selfiedodia. E, óbvio que não pode faltar, tal qual o resumo da semana que vimos por anos no programa do Silvio Santos, transformado em um bloco de imagens no Stories (ou “Sua História +).

O Brasil governado por um “twitteiro/tuiteiro”

Poucas vezes teríamos um governo tão opinativo na vida. Não há o meio termo com receio da saia justa. Frases e pontos de vista sobre tudo. Sobre todos. Qualquer tema, pá: toma aqui a opinião oficial do governo. E não importa se você concorda ou não, pro governo, só a opinião dele vale. Caso contrário, é block. Outra coisa muito parecida seria a famosa “passada de pano” – isso já acontece hoje em termos políticos, na questão do corporativismo partidário, da base aliada e assim por diante. Mas seria mais feroz, mais voraz. Aos amigos tudo, aos inimigos, nada. E para quem não concordasse com as opiniões do governo, é reply em forma de RT para jogar aos leões mesmo, que se dane.

Os temas de governo seriam colocados para os cidadãos e forma direta e objetiva, sempre com hashtag para identificar: #reformaclt #reformaprevidência. Em muitos casos, para tornar a compreensão mais simples para a massa, um gif animado explicaria o projeto. Votação das pautas seria por total de likes ou, ainda, por “um like = adiciono uma emenda”. Integrantes do alto escalão do governo trocariam dms para criticar os coleguinhas com quem são cordiais no dia a dia, mas no fundo odeiam, ou mesmo para fofocar sobre os outros: “menino, você ficou sabendo que fulano colocou um projeto novo para votação? que absurdo. Ah, esse aí já dei mute por um tempo, nem vejo mais o que escreve”. Esqueçam os programas de reality show. Os pronunciamento seriam comentados em tempo real, em horário nobre.

Veríamos muitos “botes” do governo nos cidadãos, sempre com segundas intenções. As datas de lançamentos de programas de governo estariam relacionados às características de Saturno – se estivesse retrógrado, nem pensar. Haveria, também, as Secretarias Especial de Memes, dos Catiorríneos, dos Gatíneos, do Norvana. O Ministério dos Gifs.

O Brasil governado por um “facebookeiro”

Todo mundo ia ter de aprender a ler na marra. Seria a erradicação do analfabetismo. Porque dá-lhe textão. A avaliação dos programas de governo se daria pelo “reactions”. Quantos “GRATIDÃO” o Minha Casa, Minha Vida merece? Pronunciamentos oficiais seriam realizados no Live. A comunicação entre os principais integrantes do alto escalão aconteceria no Messenger – incluindo a possibilidade de adicionar os stickers.

O governo poderia escolher o fundo colorido para fazer comunicados rápidos. E, a cada três posts, tome um de propaganda do governo. Boa parte dos cidadãos não conseguiria saber o que está acontecendo mesmo, afinal, o governo não teria verba suficiente para patrocinar todos os posts.

O Brasil governado por um “whatsappeiro”

Você certamente seria acordado pelo governo com uma linda mensagem de “Bom dia”, com flores, um ursinho bonitinho, gatinhos e cachorrinhos fofos. Ah, adicione aí alguma mensagem motivacional da presidência. Para cada grande proposta nacional haveria grupos de discussão. Um para a previdência, outro para a reforma trabalhista, discussões infindáveis sobre a nomeação do próximo ministro.

Toda sexta, governo ia liberar geral. A comunicação oficial da presidência dispararia logo pela manhã o áudio de “hoje é sexta-feira, dia de maldade”. A tradicional e eterna voz do Brasil seria transmitida em áudio. Mas seriam vários. Cada bloco teria um áudio próprio.

O Brasil governado por um “linkedineiro”

Motivação não iria faltar. O dia só começa depois de uma imagem com um post de um executivo, político ou empreendedor brasileiro brilhante e uma frase de efeito – e se não tivesse poderia ser uma do Steve Jobs mesmo que serve. Teríamos planilhas incríveis com todos os dados oficiais compartilhadas pelo governo, desde que você fornecesse seu e-mail nos comentários para receber o modelo.

O porta-voz oficial do governo seria destacado como “influencer” e os planos de governo teriam como plataforma o Slideshare. Os cargos federais deixariam de ser feitos em concursos públicos e passariam a aparecer na área de “Jobs”.

Crédito da foto: LoboStudioHamburg – public domain

Comentários (1)

  1. Hahahahaha sensacional!

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